Uma menina como ela data de 2 de lançamento

Nó dos Tronos #4: Sansa Stark (Parte I)

2019.11.17 09:18 altovaliriano Nó dos Tronos #4: Sansa Stark (Parte I)

"Nó dos Tronos" é uma série de episódios de podcasts produzidos pelo site NodeOito, dedicado a "análises, reflexões, críticas e resenhas de cultura pop sob um olhar feminista e com foco na representatividade de minorias".
O site e o podcast são projetos idealizados e produzidos por Larissa "Lara" Vascouto, bacharel em Relações Internacionais pela PUC-SP e analista de marketing. Neste episódio, se juntaram a ela Amanda Sessim e Roberta Osandabaraz, para fazer uma análise da personagem Sansa Stark, tanto nos livros quanto na série, até o segundo livro/temporada.
O site saiu misteriosamente do ar depois que eu terminei de ouvir o podcast. Mas, felizmente, o podcast também havia sido carregado em outras plataformas.
Eis a resenha.
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Link original: http://nodeoito.com/no-dos-tronos-04-sansa-stark-parte-i/
Link alternativo: https://podcasts.apple.com/us/podcast/n%C3%B3-dos-tronos-04-sansa-stark-parte-i/id1330798142?i=1000439389086
Data de lançamento: 17/08/2018

As trilhas sonoras do programa são boas e a edição de áudio é bem razoável, mas os microfones tiveram momentos ruins no começo do episódio. Não estou reclamando da inteligibilidade da fala das apresentadoras, dá para entender tranquilamente. Mas é que, depois de ouvir tantos podcast diferentes, esse tipo de coisa começa a ficar gritante para mim.
O programa começa com uma série de ressalvas. É explicado que o podcast se concentra em questões de gênero, feministas e representatividade de gênero e de minorias em Game of Thrones. Também ressalvam que fizeram resenhas ruins da 7ª temporada. A seguir pedem ao ouvinte ter em mente que a história de Sansa foi escrita tendo em mente uma menina dos 11 aos 14 anos, não em Sophie Turner, que tinha 15 anos quando a série estreou.
Como os três episódios anteriores do podcasts foram destinados a Arya, pouco se fala dela. Mesmo quando o assunto são as relações entre as irmãs Stark. Assim, presumo que o assunto foi tratado em mais profundidade naqueles episódios. Porém, as apresentadoras entram com bastante propriedade nos contra-argumentos às críticas mais normais contra Sansa, uma das personagens que é alvo de ódio por parte de muitos leitores.
Durante o primeiro livro da série, Sansa foi a personagem que, em dois dos momentos dramáticos para os Stark, demonstrou uma infeliz consideração para com os Lannister, a saber: no incidente da Estrada do Rei, que custou a vida de Micah e Lady, e nas convulsões políticas entre a morte de Robert e coroação de Joffrey.
Contudo, as apresentadoras demonstram como Sansa estava embriagada com seu futuro. Muito ligada à cultura sulista, Sansa via a oportunidade de se tornar rainha como a colocação máxima que ela poderia almejar na sociedade e ela havia sido incentivada a querer este tipo de coisa. Muito mais do que uma forma de adquirir poder, naquela idade Sansa desejava o status que vinha com o título.
Entretanto, as apresentadoras demonstram como isso não é refletido na série. Em verdade, elas asseveram que a Série fez com que Sansa fosse tida como uma tonta até por sua mãe, quase como que os criadores da série passassem a mensagem: Ela é uma tonta por preencher o estereótipo do que é ser feminina; zombamos de mulheres criadas segundo os estereótipos de feminilidade que estabelecemos.
A série, em verdade, é o foco implícito da análise das apresentadoras, especialmente nas críticas, pois é dito que Martin é um homem “extremamente feminista”, que criou um mundo machista sem que o enredo o fosse também (apesar de que Martin faça ressalvas a se auto intitular um feminista).
Um dos pontos de maior polêmica - neste episódio que só cobre até o 2º livro/2ª temporada – foi como a presença de Shae suavizou o sofrimento de Sansa. As apresentadoras refletem que a quantidade de monólogos internos demandou mudanças no enredo, mas arguem que isso acabou por descaracterizar tanto Shae (que teria virado uma pessoa confiável e compassiva) quanto Sansa (que teria deixado de se desenvolver organicamente).
O desenlace da desta primeira parte da saga vem, para Sansa, na forma de mais uma desilusão. Durante o ataque de Stannis, Cersei demonstra a Sansa que o status de rainha é completamente vazio:
O destino de Jaime seria a glória e o poder, enquanto o meu era o parto e o sangue da lua.
– Mas foi rainha de todos os Sete Reinos – Sansa lhe disse.
– Quando se trata de espadas, uma rainha é só uma mulher, no fim das contas. [...]
(ACOK, Sansa VI)
Isto é tão interessante quanto como as apresentadoras chamam a atenção para o fato de que Sansa marca sua diferença com Cersei quando está ouvindo a rainha dizer que deve fazer o povo teme-la. Sansa naquele momento responde a Cersei que vai lembrar-se disso, mas internamente diz que fará com que o povo a ame.
Um dos pontos fracos do podcast é como ele aborda o resto da história. Não se explora segredos e muitas simbologias são interpretadas sem profundidade. Sem falar nos momentos em que erram completamente ou dão espaço para crackpots (teorias malucas).
De fato, por um lado, afirmam que somente o Alto Septão poderia desfazer a promessa de casamento entre Sansa e Joffrey, o que não é verdade. Por outro lado, dão ouvidos a uma teoria de internet que diz que Pycelle seria um pedófilo (mas a “assistente” de Pycelle é descrita como “jovem e esbelta” pelo próprio Eddard) e que teria pedido a Sansa que se despisse e que sua dama de companhia a segurasse enquanto ele a examinava (AGOT, Sansa VI) com nenhum outro propósito a não ser tocá-la sexualmente, pois não haveria qualquer justificativa para o exame (sendo que Sansa só fazia dormir e se recusava a comer há dias, o que fazia necessário que Pycelle a examinasse... e tome precauções para que ela não o atacasse).
Contudo, o ponto alto do podcast foi quando Lara tentou explicar a persistência de Sansa com Joffrey, mesmo ele dando sinais de que não prestava desde a viagem para Porto Real. A apresentadora citou a existência de um experimento psicológico feito com cães (cuja autenticidade não tenho meios de verificar) divididos em 3 grupos de controle que eram submetidos a tratamentos diferentes: um era bem tratado, outro mal tratado e o último bem tratado apenas às vezes.
Segundo Lara, o estudo constatou que o grupo que era tratado bem apenas às vezes desenvolveu uma relação de dependência com os cuidadores ainda maior do que a dos que foram sempre tratados bem, pois eram escravos da incerteza. Assim, ela fez a comparação com a dependência que Sansa desenvolveu com Joffrey, haja vista que ela ficava tão aliviada quando a tratava bem, que ela passava a endeusa-lo.
É uma cruel comparação, mas serve como material para reflexão.
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Podcast sugerido
O podcast sugerido desta semana é o Game of Owns, outro podcast com fama de ser descontraído e que faz análises de Game of Thrones e releituras dos livros.
Apresentado por Zack Luye e Hannah Panek, o podcast já entrevistou vários atores da série e membros da produção.
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